sábado, 13 de janeiro de 2018

Estradas e caminhos

Olhar para ti faz-me sorrir. Este sentimento estúpido que se apodera de mim é algo que não consigo controlar. Sempre foi assim, desde a primeira vez que os nossos olhos se cruzaram e dissemos "Olá". Sempre foi assim, desde que as circunstâncias da vida nos aproximaram, e distanciaram, e voltaram a aproximar e distanciar, numa estrada a que podemos chamar destino. Esta estrada que percorro, e que quero que percorrer contigo a meu lado. Esta estrada que não precisa de iluminação, porque tu brilhas o suficiente. Esta estrada onde podem haver obstáculos, mas nenhum demasiado grande ou intransponível. Dizem que todas as estradas têm um fim, o que é incorrecto. Olhar para ti vai fazer com que eu sorria, inconscientemente, sempre, esteja onde estiver.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Variáveis

Há coisas nesta vida que tomas como uma certeza. Mas a vida é um conjuntos de variáveis. E eu sou péssimo a matemática. Nada se mantém igual, como é óbvio. O que hoje é verdade, amanhã pode não ser, mas há que manter um padrão. Há que seguir um fio de narrativa que torne minimamente suportável esta comédia romântica de fraca qualidade que é a vida. Não posso achar que o destino junta e afasta pessoas. Isso é responsabilidade delas próprias. Mas sacudir a água do capote deve ser mais fácil do que admitir que somos seres imperfeitos. E que erramos. Oh, se erramos. O ser humano é um ser de hábitos. Só assim se explica o facto de cometermos o mesmo erro vezes sem conta. De pegarmos nas variáveis da vida e fazermos delas um jogo de xadrez em que a rainha se mexe como quer, e o rei dá um passo de cada vez. Estamos mais preocupados com a imagem que desconhecidos têm de nós do que com a imagem que temos de nós mesmos, e até com a nossa felicidade. O quão triste é isso? Eu não nasci para abdicar do que quero em função dos desejos ou caprichos de outros. Eu não nasci para abdicar de algo que conquistei ao longo dos tempos pela forma como outras pessoas interpretam ideais alheios. E certamente não nasci para abdicar de ti. Já deixei que demasiados pedaços de mim se fossem embora, que daqui a pouco pareço uma manta de retalhos. Já deixei que demasiadas pessoas fossem embora como se eu fosse uma estação de serviço e só lá estivesse para suprir necessidades. Mas não a ti. Nunca a ti. Porque nós prometemos que era para sempre. E eu não quebro promessas.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Sentimentos cravados no peito

Passou um mês, dois, três. Passou um ano. Passou um ano e parece que passou um século. Até ao ponto de seres quase uma memória apenas, quase um pensamento de fim de dia. Mas não. Fazes questão de permanecer, mesmo depois de tanto tempo. Depois de ti, nada sabe ao mesmo. Posso dizer com toda a certeza que a vida ficou mais cinzenta. E o nível de estupidez deste sentimento chega ao ponto do absurdo. Tenho vontade de me espancar a mim próprio por sequer ter esta ideia. Mas é a verdade. O céu perdeu a cor, o café o sabor. E eu perdi-te a ti. Mas uma vez ouvi dizer que os finais normalmente trazem novos caminhos, só não nos apercebemos na altura. Tenho a certeza que vais ficar marcada para sempre na minha memória, que este sentimento ficará cravado no meu peito como as tuas unhas se cravavam nas minhas costas. Mas tenho a certeza que um dia, vou relembrar isto como uma rua que me levou ao meu destino final. E vou pensar em ti com carinho, como sempre.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Recordações e desejos

Não há nada que me faça esquecer
O cheiro do teu cabelo
E nada que pudesse prever
Que eu nunca mais iria vê-lo

Passo dias a relembrar
O sabor do teu beijo
Faço questão de recordar
O meu último desejo

Ver-te acordar
Com os meus braços à tua volta
7 da manhã, o sol a raiar
E os miúdos a abrir a porta

Sonhos não realizados
Uma casinha com uma cerca branca
Dois filhos criados
E no teu dedo uma aliança

Mas nada disso se concretizou
Não há culpas para atribuir
Foi a chama do nosso amor que se apagou
Mas continuaremos a sorrir


domingo, 15 de março de 2015

Amores imaginários

Apaixono-me com rapidez
E esqueço a sensatez
Necessária para não me magoar
Não consigo evitar
Procurar carinho onde quer que seja
A minha cabeça por fim lateja
De tanto pensar
E de tanto te amar

Dia após dia procuro em ti
Qualquer sinal de evolução
De que tu também pensas em mim
E tenho um lugar no teu coração

Mas o amor não se deve forçar
Tem de acontecer com naturalidade
Devia perceber que já não tenho idade
Para passar o dia a pensar
Em ti
Há tanta coisa neste mundo
Tanto sorriso para dar
Mas sempre que penso em ser feliz
É contigo que acabo por me imaginar

sexta-feira, 13 de março de 2015

Flores e manhãs

Os dias passam e passam
Mas nada acontece,
És a manhã que floresce,
Na tristeza do meu olhar,
Olhando em redor,
Tentando sem dó encontrar
Algo onde depositar
Todo este amor

Talvez em ti,
Talvez não,
Toda a coisa boa
Tem o seu senão
Gostar de ti é que não
O é com certeza,
Agora vejo com clareza
Que tens mundos aí dentro,
Bem fundo, mas também à flor da pele,
Não tenho arranjo, nem conserto,
Sou um barco de papel
Totalmente à deriva

Tento encontrar-te, 
Só a ti, mais ninguém,
Tens o poder de sem
Dizeres nada me conseguires conquistar,
Mas viras costas e dizes que não
E eu com tanto amor no coração
E sem ter em quem o depositar.

"E se..."

Manter as expectativas baixas salva-te de muita dor. Mas também te cancela o acesso a muita felicidade. Penso sempre no nível de felicidade que posso alcançar dentro da minha zona de conforto. Chega? Não sei. Quero ser feliz, mas ao mesmo tempo arriscar não é o meu forte, nunca o foi. Não gosto de incertezas e prefiro manter as coisas sobre o meu controlo. Sempre preferi. Transtorno obessivo-compulsivo, chamam-lhe eles, Eu prefiro chamar-lhe medo de me magoar. Sendo eu próprio uma decepção, não posso esperar que o mundo me forneça muito mais do que isso mesmo. E assim, mantenho-me dentro do meu circulozinho familiar em que nada de interessante acontece. E ao mesmo tempo, dentro de mim, cresce uma vontade de deixar tudo para trás e conhecer o mundo. Arriscar, pois afinal não tenho muito a perder e a felicidade é um fim que justifica os meios. Não quero chegar a velho e pensar que não vivi a vida ao máximo, que não conheci todas as cidades, culturas, músicas, pessoas e sorrisos que poderia ter conhecido, e ficar com o "será que poderia ter encontrado felicidade?" preso na garganta. A cima de tudo, gostava de ter arriscado mais no que a ti diz respeito, quando tive essa chance. Gostava que soubesses que te amei imenso, talvez mais do que seria desejável. Que ansiei por um contacto teu, e que o cheiro do teu cabelo era uma lembrança mais doce que chocolate. Gostava de saber o que te vai na mente nos momentos mais felizes, e de te dar apoio nos mais tristes. Gostava de saber qual a sensação de acordar ao teu lado, de te ver abrir os olhos de manhã e beijar-te um "bom dia". A sensação de saber que tudo estaria bem, porque tu estavas comigo... Suspeito que saibas que para mim eras mais do que uma amiga. Assim como suspeito que poderíamos, sem dúvida, ter sido imensamente felizes juntos. Agora, resta-me a esperança de que poderemos ser felizes separados, tendo constantemente no meu pensamento o facto de que serás sempre o meu maior "e se...".